quinta-feira, 31 de julho de 2014

Cirurgia Gorda!

Toda a vez que nos alimentamos, o estômago se distende e os alimentos começam a passar para o intestino. Esse processo de distensão do estômago e passagem dos alimentos para o intestino libera uma série de substâncias ativas que vão agir sobre o cérebro e sobre os centros que controlam a saciedade, indicando a hora de parar de comer. Simultaneamente, o cérebro envia outras substâncias mensageiras que atuam no aparelho digestivo. Além disso, o tecido gorduroso, que não é inerte mas um tecido endócrino, produz hormônios que também desempenham papel importante no controle do equilíbrio entre fome e saciedade.
O controle do peso corpóreo é feito pelo cérebro. Cabe a ele regular a quantidade de alimentos que ingerimos e garantir o aporte energético para que as células do organismo se mantenham vivas. Para ele, não faz diferença se elas são neurônios que controlam a inteligência humana ou células adiposas localizadas no abdômen ou nas nádegas. Um desequilíbrio qualquer nesse mecanismo delicado pode gerar aumento excessivo ou perda de peso corpóreo. Nos dias de hoje, a obesidade constitui uma epidemia mundial.
Os métodos cirúrgicos para tratar da obesidade são, na verdade, muito radicais e só podem e devem ser usados em situações extremas. Seria absurdo indicá-los para alguém com cinco ou dez quilos a mais ou que está infeliz com sua estética corporal. A cirurgia da obesidade só se aplica aos casos extremos e graves em que o excesso de peso causa sérios danos à saúde e implica risco de morte. Só nesses casos cabe fazer uma interferência tão radical sobre o aparelho digestivo, que o torne menos capaz de receber alimentos e de oferecer energia ao organismo.
Os grandes obesos não conseguem perder peso nem que empenhem enorme boa vontade nem com a ajuda de tratamentos médicos conservadores. A experiência mundial demonstrou que, a partir de certo limite mais ou menos determinado numericamente pela proporção entre peso e altura, raramente o obeso tem sucesso com qualquer tratamento clínico à base de dietas, medicamentos, psicoterapia, exercícios físicos, nem mesmo com aqueles que envolvem internação hospitalar ou em spas para manter jejum ou semijejum prolongado. É especificamente para essas pessoas que faz sentido indicar a cirurgia da obesidade.
O objetivo visado é diminuir a eficiência do aparelho digestivo. A pessoa se torna obesa, porque ingere mais calorias do que as necessárias para manter seu organismo ativo. Grande parte dessas calorias excedentes é estocada, isto é, armazenada no tecido adiposo. Essa situação precisa ser revertida. Para tanto, a pessoa deve ingerir menos calorias do que gasta. No final do processo de emagrecimento, é indispensável ter alcançado um ponto de equilíbrio entre o consumo e a ingestão de alimentos. Esse grau de equilíbrio, no entanto, foi sendo estabelecido nas diferentes técnicas por ensaio e erro, porque uma das peculiaridades dessa cirurgia é não existirem animais obesos mórbidos para teste. Embora haja animais muito gordos, essa gordura é importante para sua sobrevivência. Se o urso não tiver uma camada considerável de tecido gorduroso, morrerá no primeiro inverno. O homem, ao contrário, morrerá por causa do excesso de tecido adiposo.

Síndrome Gorda!

Nessa e a próxima postagem tentaremos falar um pouco sobre obesidade. Este tema está intimamente ligado à estética e é altamente atual. Hoje falaremos sobre obesidade causada por uma síndrome e na próxima tentaremos falar sobre obesidade e cirurgia de redução de estômago.

Pois bem, todos sabemos que a obesidade está ligada a uma série de complicações a curto, médio e longo prazo. Pessoas obesas têm maior tendência a apresentar pressão arterial elevada, diabetes e alterações dos lípides sanguíneos (colesterol, triglicérides, etc).
Assim como há obesos que não desenvolvem essas complicações, há indivíduos um pouco acima do peso ideal que acumulam gordura no abdômen, têm níveis de triglicérides e colesterol alterados, pressão arterial ligeiramente elevada e, embora não cheguem a ser diabéticos, nos testes de glicemia em jejum, mostram que o nível de açúcar no sangue está um pouco acima do normal.

Hipertensão, elevação da glicemia em jejum, alteração dos níveis de lípides, acúmulo de gordura no abdômen são características de um quadro descrito em 1988 por Reaven, batizado inicialmente como síndrome X e, mais tarde, como síndrome metabólica ou plurimetabólica. Portadores dessa síndrome estão mais propensos a desenvolver doenças cardiovasculares, derrames cerebrais e doenças vasculares periféricas.

Quando foi descrita no final da década de 1980, a síndrome X tinha como base a intolerância à glicose e era característica de uma população com maior risco para doenças cardiovasculares e diabetes, não necessariamente diabetes estabelecido, mas uma condição prévia conhecida como resistência à ação da insulina.
Lembrando que, em jejum, a glicemia normal deve estar entre 70 e 100, na síndrome metabólica esses números oscilam entre 100 e 125. Além disso, duas horas depois de ter tomado glicose, se o resultado do exame estiver entre 140 e 200 será indicativo de que a pessoa também apresenta esse tipo de intolerância.
Portanto, a síndrome X caracteriza-se pela associação de fatores como intolerância à glicose, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos, ou seja, distúrbios da gordura circulante, principalmente aumento do colesterol ruim (LDL) e dos triglicérides, obesidade, em particular a do tipo central, que dá ao corpo o formato semelhante ao da maçã.

Não há dúvida de que a síndrome metabólica é uma doença da civilização moderna, especialmente porque está associada à obesidade e esta, por sua vez, resulta do binômio alimentação inadequada e sedentarismo. Não há como negar que, cada vez mais, as pessoas estão consumindo alimentos muitos calóricos que formam colesterol e triglicérides com facilidade. Outro fator de risco importante é a falta de exercícios. Televisão com controle remoto, carros acionados automaticamente, elevadores no lugar das escadas, tudo colabora para que a economia da atividade física e favorece o sedentarismo.

O ideal seria que medidas simples, como dieta e exercícios físicos, bastassem para reverter o quadro. No entanto, se o paciente não quer ou não pode fazer dieta adequada e praticar exercícios, ou mesmo fazendo não consegue controlar alguns componentes da síndrome, a intervenção medicamentosa torna-se obrigatória.

Rim de Pedra!

Há poucos dias a ANVISA proibiu a venda de alguns suplementos proteicos para atletas. O motivo? Havia uma quantidade muito alta de carboidratos nesses suplementos superando, em 20% dos casos, os valores declarados no rótulo do produto. A medida foi acertada e nos faz discutir sobre o uso de suplementos proteicos por atletas, principalmente os de academia.

A busca por um corpo belo e parecido com o padrão atlético nos leva a fazer muita coisa que não podemos. Ter massa muscular é motivo de muita coisa boa, inclusive de uma grande possibilidade de arranjar o(a) parceiro(a) sexual dos sonhos. Por isso perder horas na academia. É lá que estimulamos os nossos músculos a aumentar de tamanho.

Quando os músculos são submetidos a um treinamento intensivo, como em uma sessão de treinamento de resistência, ocorre um estresse nas fibras musculares que é chamado na literatura de estresse ou lesão muscular. Essa ruptura da célula muscular ativa as células satélite, as quais estão localizadas no exterior das fibras musculares entre a lâmina basal (membrana basal) e a membrana plasmática (sarcolema) das fibras musculares para espalhar ao local da lesão. Para tanto, gasta-se aminoácidos e o corpo precisa repô-los. Para fazer isso a célula pega o aminoácido livre no corpo e o transforma em proteínas constituintes das fibras musculares.

Antes de mostrar como cada pessoa repõe esses aminoácidos precisamos entender algumas coisinhas:
1) Moléculas que desviam a luz para a direita são chamadas dextrógiras(D); quando o desvio é para a esquerda, as moléculas são chamadas levógiras(L). A importância disso reside no fato de que uma molécula dextrógira(D) e uma levógira da mesma substância(DL) são imagens especulares uma da outra. Como em bioquímica, a disposição dos átomos é crucial na determinação da atividade biológica, a mesma substância com distinta quiralidade pode não apresentar efeito biológico.
2) Miller, que em 1953, misturando CH4, NH2 e H2O em laboratório, conseguiu formar aminoácidos, substâncias formadoras de proteínas, confirmando, segundo os evolucionistas, a teoria da geração espontânea. Essa experiência está relatada em todos os livros de Biologia usados atualmente nas redes de ensino. O que os livros não informam, é que os aminoácidos produzidos eram 50% levógiros(L) e 50% dextrógiros(D). Pasteur em suas experiências, descobriu que organismos vivos são compostos por 100% de aminoácidos levógiros(L). Após a morte, ao entrar em decomposição, os aminoácidos das proteínas do organismo começam a se transformar em dextrógiros(D), até atingirem a proporção de 0% de levógiros e 50% de dextrógiros. Isso demonstra que o que Miller produziu foi a simulação de um estado de morte.

O correto e mais indicado seria que a pessoa necessitada de aminoácidos ingira apenas proteínas naturais, que possuem aminoácidos L. Entretanto, as pessoas preferem ingerir proteínas artificiais que possuem 50% de seus aminoácidos sendo do tipo D. Esses aminoácidos não serão associados ao organismo e serão expelidos pela urina. O problema maior é que muitas vezes acumulam nos rins formando cálculos renais.
Ter uma alimentação saudável é fundamental para ter uma saúde de ferro. E pra quem quer aumentar de massa muscular o segredo é, apenas, ter paciência.

domingo, 13 de julho de 2014

Beleza Bulímica



Complementando a postagem anterior, vamos conversar hoje           sobre a bulimia nervosa. Mais recorrente que a anorexia, a bulimia se mostra também aterrorizante. Ela é um distúrbio que se caracteriza por episódios recorrentes e incontroláveis de ingestão de grandes quantidades de alimentos, geralmente com alto teor calórico, seguidos de reações inadequadas para evitar o ganho de peso, tais como indução de vômitos, uso de laxativos e diuréticos, jejum prolongado e prática exaustiva de atividade física.
Nos portadores de bulimia, não é a magreza que chama a atenção. Em geral, são mulheres jovens de corpo escultural, que cuidam dele de forma obsessiva. Seguem dietas rigorosas. De repente, perdem o controle e ingerem uma quantidade absurda de alimentos, na maior parte das vezes, às escondidas. Depois, são tomadas por sentimentos de remorso ou culpa. Os recursos de que se valem para não engordar provocam complicações no organismo. Por exemplo: destruição do esmalte dos dentes, inflamação na garganta, sangramentos, problemas gastrintestinais, arritmias cardíacas, desidratação, etc.

A principal diferença entre anoréxicos e bulímicos é o estado de caquexia (extrema desnutrição) a que podem chegar pacientes com anorexia. Seu efeito no metabolismo é parecido com o da anorexia. O corpo não tem glicogênio disponível e passa a metabolizar lipídeos e proteínas.
O diagnóstico da doença nem sempre é fácil, porque os sintomas não são evidentes como os da anorexia. Por isso, o levantamento da história do paciente, seus hábitos alimentares e a preocupação constante com o peso são dados que precisam ser cuidadosamente observados. Além disso, segundo o DSM.IV, o manual de diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais, a pessoa precisa apresentar dois episódios por semana de ingestão descontrolada de alimentos, durante três meses no mínimo, para ser classificada como portadora de bulimia nervosa.
O tratamento da bulimia nervosa exige acompanhamento de equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas. Medicamentos antidepressivos podem ser úteis, especialmente se ocorrerem distúrbios como depressão e ansiedade. Da mesma forma, a psicoterapia cognitivo-comportamental tem mostrado bons resultados a longo prazo, especialmente quando associada ao uso de antidepressivos e estabilizadores do humor.

Infelizmente, não se conhecem métodos eficazes para prevenir patologias como a bulimia e a anorexia. Certamente, o empenho da sociedade para mudar certos valores estéticos ligados ao culto do corpo e à magreza traria benefícios importantes para a saúde.

sábado, 5 de julho de 2014

Beleza Anoréxica

Nessa e na próxima postagem abordaremos um assunto muito delicado nos quesitos estética e alimentação: as doenças anorexia e bulimia nervosas. Essas doenças se dão, basicamente, por meio de distúrbios alimentares, gerados por uma obsessão pela magreza. Hoje, nos limitaremos a falar da anorexia.



A anorexia nervosa pode provocar problemas psiquiátricos graves. A pessoa se olha no espelho e, embora extremamente magra, se enxerga obesa. Com medo de engordar ainda mais, exagera na atividade física, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos.
Às vezes, os portadores do transtorno chegam rapidamente à caquexia, um grau extremo da desnutrição. Pesquisas mostram que, nesses casos, o índice de mortalidade varia entre 15% e 20%, o que é tido como alarmante.
As pessoas com anorexia chegam a ingerir apenas 200 kcal por dia, enquanto o ideal seria 1200. Para manter sua atividade metabólica um anoréxico já não depende mais das suas reservas primárias, o glicogênio. Seu corpo passa a gastar lipídeos. O problema inicia quando os lipídeos acabam e o corpo inicia o consumo das suas reservas proteicas. Os músculos do indivíduo definham, dando a ele uma aparência mortífera.

Diversos fatores favorecem o aparecimento da doença: 1) predisposição genética, 2) conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como padrão de beleza e elegância, 3) pressão da família e do grupo social e 5) alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente na concentração de serotonina e noradrenalina.
Uma vez diagnosticado um quadro de anorexia, a reintrodução dos alimentos deve ser gradativa, a fim de evitar maior sobrecarga cardíaca. Há casos em que se torna imprescindível a internação hospitalar para que a oferta gradual de calorias seja controlada por nutricionistas.
 Não há medicação específica para a anorexia nervosa. Medicamentos antidepressivos podem ajudar a aliviar os sintomas depressivos, compulsivos e de ansiedade. Em geral, o tratamento desses pacientes exige o trabalho de equipe multidisciplinar.
“O ideal é ficar atento. Se a preocupação com a magreza deixou de ser aquela vaidade normal, de todos nós, e virou obsessão é melhor começar a se cuidar. O corpo agradece.”
Dráuzio Varella