Toda a vez que nos alimentamos, o estômago se distende e os alimentos começam a passar para o intestino. Esse processo de distensão do estômago e passagem dos alimentos para o intestino libera uma série de substâncias ativas que vão agir sobre o cérebro e sobre os centros que controlam a saciedade, indicando a hora de parar de comer. Simultaneamente, o cérebro envia outras substâncias mensageiras que atuam no aparelho digestivo. Além disso, o tecido gorduroso, que não é inerte mas um tecido endócrino, produz hormônios que também desempenham papel importante no controle do equilíbrio entre fome e saciedade.
O controle do peso corpóreo é feito pelo cérebro. Cabe a ele regular a quantidade de alimentos que ingerimos e garantir o aporte energético para que as células do organismo se mantenham vivas. Para ele, não faz diferença se elas são neurônios que controlam a inteligência humana ou células adiposas localizadas no abdômen ou nas nádegas. Um desequilíbrio qualquer nesse mecanismo delicado pode gerar aumento excessivo ou perda de peso corpóreo. Nos dias de hoje, a obesidade constitui uma epidemia mundial.
Os métodos cirúrgicos para tratar da obesidade são, na verdade, muito radicais e só podem e devem ser usados em situações extremas. Seria absurdo indicá-los para alguém com cinco ou dez quilos a mais ou que está infeliz com sua estética corporal. A cirurgia da obesidade só se aplica aos casos extremos e graves em que o excesso de peso causa sérios danos à saúde e implica risco de morte. Só nesses casos cabe fazer uma interferência tão radical sobre o aparelho digestivo, que o torne menos capaz de receber alimentos e de oferecer energia ao organismo.
Os grandes obesos não conseguem perder peso nem que empenhem enorme boa vontade nem com a ajuda de tratamentos médicos conservadores. A experiência mundial demonstrou que, a partir de certo limite mais ou menos determinado numericamente pela proporção entre peso e altura, raramente o obeso tem sucesso com qualquer tratamento clínico à base de dietas, medicamentos, psicoterapia, exercícios físicos, nem mesmo com aqueles que envolvem internação hospitalar ou em spas para manter jejum ou semijejum prolongado. É especificamente para essas pessoas que faz sentido indicar a cirurgia da obesidade.
O objetivo visado é diminuir a eficiência do aparelho digestivo. A pessoa se torna obesa, porque ingere mais calorias do que as necessárias para manter seu organismo ativo. Grande parte dessas calorias excedentes é estocada, isto é, armazenada no tecido adiposo. Essa situação precisa ser revertida. Para tanto, a pessoa deve ingerir menos calorias do que gasta. No final do processo de emagrecimento, é indispensável ter alcançado um ponto de equilíbrio entre o consumo e a ingestão de alimentos. Esse grau de equilíbrio, no entanto, foi sendo estabelecido nas diferentes técnicas por ensaio e erro, porque uma das peculiaridades dessa cirurgia é não existirem animais obesos mórbidos para teste. Embora haja animais muito gordos, essa gordura é importante para sua sobrevivência. Se o urso não tiver uma camada considerável de tecido gorduroso, morrerá no primeiro inverno. O homem, ao contrário, morrerá por causa do excesso de tecido adiposo.










